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Biografia de José Calvet de Magalhães

José Thomaz Cabral Calvet de Magalhães nasceu em 1915, em Lisboa. Até à sua entrada, em 1941, no Ministério dos Negócios Estrangeiros, o futuro embaixador cumpriu a sua carreira académica, tendo frequentado o Liceu Passos Manuel e, mais tarde, ingressado na Faculdade de Direito de Lisboa, onde veio a concluir a licenciatura em Direito, no ano de 1940.

As suas lides académicas e o crescente interesse pela diplomacia, levaram Calvet de Magalhães ao Ministério dos Negócios Estrangeiros, onde foi aprovado através do concurso de admissão aos lugares de adido, em Janeiro de 1941. Em 1945, partiu para Nova Iorque enquanto Cônsul-Adjunto. No ano de 1946, desempenhou funções de Cônsul gerindo interinamente o Consulado de Boston e, nesse mesmo ano, torna-se Cônsul de Cantão.

Em 1951, Calvet de Magalhães assumiu o secretariado da Embaixada de Paris, exercendo simultaneamente funções como Representante de Portugal no COCOM. Em 1952, torna-se membro da DELNATO, a Delegação da NATO em Paris. A partir de 1956, desempenhou, com o título de ministro plenipotenciário, o cargo de chefe da delegação em Paris, da Comissão Técnica de Cooperação Económica Externa e o de representante permanente junto da Organização Europeia da Cooperação Económica (OECE), mais tarde renomeada Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), tendo sido presidente da delegação portuguesa durante a conferência que conduziu à reorganização OECE/OCDE, no âmbito do Acordo de Paris.

Em 1959, chefiou a delegação portuguesa durante a Convenção em que se desenvolveram as negociações do Tratado de Estocolmo, que criou a European Free Trade Association (EFTA). No ano seguinte, Calvet de Magalhães foi designado, com o título de embaixador, representante junto das Comunidades Europeias, tendo em 1962 sido nomeado representante permanente e chefe da delegação portuguesa junto da Comunidade Económica Europeia (CEE) e da Agência Internacional de Energia Atómica (EURATOM).

No ano de 1964, presidiu à delegação portuguesa nas negociações de Otava sobre os novos acordos dos limites de pesca entre Portugal e Canadá. No mesmo ano assumiu a Direcção-geral dos Negócios Económicos do Ministério dos Negócios Estrangeiros e, no ano seguinte, é nomeado delegado do Governo junto da SACOR.

Nos anos que seguiram, o embaixador presidiu às delegações portuguesas nas negociações de Acordos de Comércio com a Rodésia (1965), com o Japão (1966), com o Brasil (1966) e com a República Popular da Roménia (1967).

Em 1969, o embaixador Calvet de Magalhães torna-se administrador, por parte do Estado, da DIAMANG, Companhia de Diamantes de Angola. Ainda em 1969, presidiu às negociações do Acordo com a República da África do Sul para a construção da barragem de Cabora Bassa. No ano seguinte, presidiu às negociações para um acordo de cooperação económica e de comércio com a Espanha.

Foi em 1971 que o embaixador Calvet de Magalhães assumiu as competências da Secretaria-Geral do Ministério dos Negócios Estrangeiros e que negociou o Acordo com os Estados Unidos relativo à utilização das base das Lages. Em 1974, desempenha as funções de Embaixador junto da Santa Sé, tendo presidido às negociações para a Revisão da Concordata com a Santa Sé, em 1975.

No ano de 1980, o embaixador Calvet de Magalhães terminou o serviço externo no Ministério dos Negócios Estrangeiros, vindo a exercer a função de consultor no Instituto Nacional de Administração (INA). Ainda que tendo terminado o serviço externo, voltou às negociações do Novo Acordo com os Estados Unidos sobre a base das Lages, em 1983.

O embaixador Calvet de Magalhães regressou à vida académica como Professor Associado da Universidade Autónoma de Lisboa, em 1995, e como Professor Convidado da Universidade Nova de Lisboa, em 2000.

Em 1985 o embaixador Calvet de Magalhães assumiu a presidência do Instituto de Estudos Estratégicos e Internacionais, onde se dedicou principalmente à análise das temáticas da integração europeia e das relações transatlânticas, tendo publicado um número muito significativo de textos na revista Estratégia sobre o euro-atlantismo e tendo participado activamente no projecto que deu origem ao livro Portugal - Um Paradoxo Atlântico. Outro marco importante da actividade de José Calvet de Magalhães no IEEI foi a publicação do Lumiar Paper Portugal e as Nações Unidas: a questão colonial (1955-1974), obra contemplado com o prémio Aristides de Souza Mendes. Outra área de interesse do embaixador Calvet de Magalhães foram as relações luso brasileiras, a que se dedicou no quadro do projecto desenvolvido pelo IEEI no contexto das comemorações dos 500 anos da descoberta do Brasil, tendo sido publicados os livros Relance histórico das relações diplomáticas luso-brasileiras, (Lisboa: Quetzal Editores, 1997) e Breve história das relações diplomáticas entre Brasil e Portugal (São Paulo: Paz e Terra - Fundação Alexandre Gusmão, 1999). O último artigo do embaixador foi publicado em O Mundo em Português (nº 56, Setembro/Outubro de 2004) sob o título "A unidade europeia para a paz". Já em Abril de 2005 foi publicado um artigo inédito - Francisco Lucas Pires - um cidadão europeu - em O Mundo em Português (nº 58, Abril/Maio de 2005).